Categoria: Fraude

TJ/PI decide não anular concurso e autoriza eliminar 50 candidatos envolvidos na fraude

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Mais um capítulo da novela que envolve o concurso do Tribunal de Justiça do Piauí (TJ/PI) acaba de sair. O tribunal anunciou hoje (30) que não irá suspender o certame, no entanto, todos os envolvidos nas denúncias, incluindo os que foram beneficiados direta ou indiretamente pelo esquema serão eliminados. A autorização para exclusão destes candidatos foi enviada à Fundação Getúlio Vargas (FGV) pelo presidente do TJ/PI, o desembargador Raimundo Eufrásio.

O inquérito da Polícia Civil foi concluído na última quarta-feira e em seguida enviado ao tribunal. A decisão foi tomada após análise das provas apresentadas durante as investigações. Ao todo, foram 21 pessoas indicias e 12 presas. Segundo o presidente, não foram encontradas provas suficientes para que o concurso fosse anulado, bastando que os envolvidos sejam eliminados da seleção.

Após a decisão, a FGV foi autorizada a publicar a lista preliminar de aprovados retirando os nomes dos envolvidos no esquema. O resultado deverá ser publicado já nos próximos dias.

De acordo com o delegado responsável pelas investigações, Riedel Batista, foi constatado que se trata de uma organização criminosa composta por diversos membros, sendo designado a cada um deles a função dentro do esquema, desde negociar o gabarito até selecionar pessoas para responderem as questões.

O delegado informou ainda que estas doze pessoas que estão presas são, supostamente, os chefes da quadrilha, tendo envolvimento direto com a prática das fraudes. O esquema era tão bem articulado que dois policiais faziam parte do esquema. Um deles passava as informações sobre o andamento das investigações diretamente para os integrantes do grupo.

Já os investigados que estão em liberdade são candidatos que contrataram os serviços da quadrilha e tinham envolvimento indireto com a fraude. Eles desembolsavam em torno de R$800,00 a R$1 mil para ter acesso ao gabarito. Caso fossem aprovados, teriam que pagar dez vezes o valor do salário oferecido pelo cargo.

Segundo o delegado, estes valores poderiam inclusive ser parcelados. Caso o salário fosse R$5 mil, o candidato deveria pagar R$50 mil após a aprovação. Os candidatos chegavam a fazer empréstimos consignados para arcar com o valor cobrado pelos criminosos.

Há indícios ainda que a mesma quadrilha teria participado de fraudes em outros concursos públicos, como do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão, da Seduc/MA e da prefeitura de Fortaleza/CE. De acordo com o delegado, estes certames também estão sendo alvo de investigações, no entanto, nenhuma pessoa foi presa até o momento.

O caso

Em dezembro de 2015 cinco pessoas foram presas pela Polícia Civil após tentarem fraudar a prova do concurso para o Tribunal de Justiça do Piauí (TJ/PI). Duas delas foram detidas com documentos falsos e três por terem utilizado aparelhos celulares durante a realização do exame. Na época, o presidente do tribunal, desembargador Raimundo Eufrásio afirmou que as investigações seriam direcionadas para apurar a possível participação de uma quadrilha.

Uma gravação narrando a possível negociação foi entregue à Polícia Civil. No áudio, o suposto fraudador negocia com uma das candidatas informando que o valor a ser pago é de R$40 mil, acrescentando que este valor em outros estados chega a R$50 mil. A candidata deveria dar uma entrada de R$5 mil e o restante seria pago em parcelas.

O concurso

No último domingo (20) foram aplicadas provas para 42.920 candidatos que disputavam uma das vagas para escrivão judicial, analista de sistemas de banco de dados, analista de sistemas telecomunicações, auditor, enfermeiro e analista administrativo. Todos os candidatos foram avaliados através de uma prova objetiva composta por 100 questões de múltipla escolha que versaram sobre as disciplinas de língua portuguesa, raciocínio lógico, legislação específica e conhecimentos específicos.

Com informações do G1

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