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Ex-gari e dona de casa conseguem encaminhar os oito filhos para o serviço público

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Histórias de superação sempre nos incentivam a ir além das nossas limitações. Isso também acontece com pessoas que surpreendem ao alcançarem, apesar as dificuldades, algo que muitos gostariam, como ser aprovado em um concurso público.

Uma família de Brasília é um belíssimo exemplo para os concurseiros. Bartíria e Paulino Doxa conseguiram encaminhar os oito filhos em carreiras públicas. E como isso foi possível? Priorizaram, desde cedo, a importância dos estudos, apesar de não terem tido a mesma oportunidade.

Bartíria e Paulino moravam em uma fazenda no interior de Goiás, local de poucas oportunidades para quem pretende estudar. Eles contam que lá se conheceram e tiveram os três primeiros filhos. Após esse período decidiram se mudar para Planaltina para que pudessem garantir um futuro melhor para a prole.

“Vim para Planaltina com cerca de 28 anos, foi difícil. Mas sempre tive vontade de que meus filhos estudassem, porque isso eu não pude. Não tínhamos condições de colocá-los em colégio particular, mas sempre dávamos um jeito. Meu marido trabalhava fora, ganhava pouco, mas tinha salário todo mês. E eu cuidava dos filhos em casa e ajudava quando podia, costurando e lavando roupa para os outros”, descreve a senhora de 75 anos.

Os oito filhos hoje ocupam cargos em órgãos muitos almejados pelos concurseiros, como Ministério Público da União, Tribunal Regional Federal, Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, secretarias de Fazenda, Educação e Saúde do DF. E não para por aí. O filho caçula foi aprovado em nada mais nada menos que 10 concursos públicos.

Bartiría lembra que tentou uma única vez participar de um concurso público para o cargo de merendeira da Secretaria de Educação, porém, não obteve sucesso. Apesar disso ela não lamenta, uma vez que pôde ficar em casa e se dedicar integralmente à educação dos filhos.

Já Paulino estreou a família no funcionalismo público quando obteve aprovação em um processo seletivo para o cago de gari no Serviço de Limpeza Urbana (SLU). Ele diz que tirou nota 10 na prova prática de capinar. Atualmente ele está aposentado como operador de máquinas após trabalhar por 35 anos no mesmo órgão.

Os filhos confirmam a dedicação e empenho dos pais em lhes fornecerem todos os meios para conquistar uma boa carreira. Mauro Doxa conta que o papel dos pais foi fundamental em todo o processo, especialmente do pai que sempre dizia que o estudo muda a realidade social e que a caneta era o maior patrimônio que poderia deixar como herança.

O filho caçula que hoje ocupa o cargo de analista do Ministério Público da União após passar como servidor pelo Superior Tribunal de Justiça conta que o fato de Gervani, irmão mais velho, ter sido aprovado em um concurso público com apenas 19 anos incentivou ainda mais os demais para que se dedicassem aos estudos.

“O mundo de quem estuda para concursos é bem corrido, lidamos com pessoas de todas as áreas e situações diversas, com aspectos financeiros e formações distintas. Umas das maiores dificuldades era conseguir dinheiro para estudar em cursinhos preparatórios e adquirir materiais de estudo de qualidade”, conta.

Gervani que ocupa uma vaga como secretário escolar da antiga Fundação Educacional reforça ainda toda a dedicação dos pais, especialmente pelo pai que lutou para dar a única coisa que poderia: educação. Ele conta que pela falta de recursos e vocação para negócio próprio a única saída era estudar e buscar uma vaga no serviço público. E quem pensa que ele parou por aí está enganado. Ele continua estudando para conquistar uma vaga no concurso da Câmara dos Deputados.

Toda essa dedicação serviu muito mais do que incentivo para os filhos, mas também para as futuras gerações. Paulo, filho do meio do casal que hoje ocupa seu terceiro cargo público como técnico administrativo do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios e pai de um bebê de quase dois anos, conta que dará ao filho três presentes para que possa escolher qual caminho seguir: um violão, uma bola de futebol e uma caneta.

Educação é, sem sombra de dúvidas, a melhor e maior herança que alguém pode deixar.

Com informações do CorreioWeb

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