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Compensa usar inibidores de sono para estudar?

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Não raro, talvez seja até comum, o uso de inibidores de sono por examinandos e concurseiros nos estudos aparentemente trazem a vantagem ao proporcionarem mais tempo para estudar e esgotar o conteúdo programático.

Muitos candidatos podem se valer de substâncias que alterem o estado de vigília para aumentar o tempo de estudo e darem conta, supostamente, de estudarem aquilo que acham relevante.

Essas substâncias são chamadas de inibidores de sono. Neste rol nós temos o pó de guaraná, energéticos, anfetaminas e o metilfenidrato, mais conhecido com o nome do remédio Ritalina e Concerta.

Este tema volta a voga depois de um reportagem do The New York Times abordar o uso de substância por universitários europeus para aumentarem o potencial de competição na graduação:

Estudantes europeus estão usando “drogas inteligentes” em busca de um melhor desempenho acadêmico

No fundo o impacto é o mesmo: reduzir o sono e aumentar o tempo de estudo.

Como funciona cada um destes remédios?

Pó de Guaraná

O pó de Guaraná pode ser utilizado como  um estimulante do sistema nervoso central, além de ser um energético. Duas substâncias básicas estão em sua composição:  cafeína e teobromina – substância presente no chocolate.

O pó age diretamente no sistema nervoso central, exatamente nos mesmos receptores em que age a cocaína e as anfetaminas. Entretanto, seus efeitos são bem mais suaves. Produz um aumento no estado de alerta no indivíduo e um relativo bem-estar, pois libera adrenalina e dopamina no sangue.

Seu impacto, a depender o organismo do indivíduo e do horário do uso, é direto no sono, podendo comprometer o sono profundo ou mesmo o sono leve.

Não dá para dizer que o guaraná vicie, o organismo com certeza se acostuma com ele e reclama quando falta. Isso resulta de um efeito direto da cafeína e da teobromina: elas ativam a liberação de dopaminas – neurotransmissores cerebrais que fazem uma pessoa ficar mais alerta e acordada.

Os efeitos colaterais são: insônia, nervosismo, taquicardia, palpitações e gastrite.

Por ser o mais fraco dos inibidores, é considerado inofensivo.

Energéticos

Os energéticos costumam dar uma energia extra, em especial por possuírem grandes quantidades de cafeína, açúcar, Taurina e outros ingredientes. Seus feitos colaterais são insônia, aceleração ou arritmia cardíaca, agitação ou mesmo irritabilidade. A mesma lógica se aplica às pílulas de cafeína e outras substâncias que prometem energia imediata.

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A taurina é um ácido 2-aminoetanosulfónico, orgânico, contendo enxofre, encontrado na bílis. EA ingestão excessiva pode provocar efeitos negativos como irritabilidade, ansiedade, agitação, dor de cabeça e insônia. Ademais, em altas doses, a cafeína presente nesses produtos pode excitar demasiadamente o sistema nervoso central. E a ingestão frequente pode causar insônia.

As bebidas energéticas são livremente comercializadas e de um modo geral usadas em conjunto com o álcool (o que é um erro!), para aumentar a disposição em festas.

Metilfenidato

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O metilfenidato é usualmente vendido no como a famosa Ritalina, a droga dos concurseiros.

Uso de Ritalina por concurseiros pode ser prejudicial à saúde

Entretanto, por mais que se alerte sobre o impacto do uso da Ritalina no organismo de quem não precisa da droga,muitos e muitos estudantes, concurseiros e examinandos utilizam este medicamento em busca de uma melhora no desempenho.

Melhora ilusória…

Vejam um texto do Estadão sobre a Ritalina:

A Ritalina não promove melhora cognitiva em pessoas saudáveis. Indicada para transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), ela tem sido usada por estudantes que buscam melhor desempenho em provas e concursos. Apesar da fama – que lhe rendeu o apelido de “pílula da inteligência” ou “droga dos concurseiros” -, uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mostra que o medicamento não beneficia a atenção, a memória e as funções executivas (capacidade de planejar e executar tarefas) em jovens sem o transtorno.

A psicóloga Silmara Batistela, autora do estudo, decidiu investigar o tema ao perceber a popularização da prática de doping mental. ”É muito comum ouvir o relato de pessoas que, para passar a noite estudando antes da prova, tomam Ritalina”, diz. O objetivo da pesquisadora era avaliar se o consumo do medicamento, cujo princípio ativo é o cloridrato de metilfenidato, realmente trazia vantagens cognitivas.

Para a pesquisa, foram selecionados 36 jovens saudáveis de 18 a 30 anos. Eles foram divididos aleatoriamente em quatro grupos: um deles tomou placebo e os outros três receberam uma dose única de 10 mg, 20 mg ou 40 mg da medicação. Depois de tomarem a pílula, os participantes foram submetidos a uma série de testes que avaliaram atenção, memória operacional e de longo prazo e funções executivas. O desempenho foi semelhante nos quatro grupos, o que demonstrou a ineficácia da Ritalina em “turbinar” cérebros saudáveis.

“O uso não alterou a função cognitiva. A única diferença que observamos foi que os que tomaram a dose maior, de 40 mg, relataram uma sensação subjetiva de bem-estar maior em comparação aos demais“, diz Silmara.

Perigos

O psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, diretor do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad) da Unifesp, observa que o mito de que a Ritalina teria o potencial de tornar alguém mais inteligente não faz sentido. “A pessoa fala que consegue estudar a noite inteira com o remédio. Isso é porque ela fica acordada e não porque tem uma melhora na atenção”, diz. Ele observa que o aprendizado sob o efeito da droga consumida inadequadamente é de má qualidade.

Silveira destaca que existem perigos relacionados ao uso inadequado do medicamento. O consumo aumenta os riscos de problemas do coração e pode levar a um quadro de arritmia cardíaca. O especialista acrescenta que, tratando-se de uma anfetamina, a droga apresenta também um potencial de abuso, razão pela qual é controlada e só pode ser comprada com receita especial.

A alternativa para os que resolvem usar a Ritalina sem ter indicação é recorrer ao mercado negro. Estudantes relatam que não é difícil encontrar fornecedores anunciando o produto em fóruns de discussão na internet.

Fonte: Estadão

O uso da Ritalina é absolutamente condenável para quem não precisa do medicamento.

Anfetaminas

As anfetaminas são drogas estimulantes da atividade do sistema nervoso central, ou seja, atuam no cérebro, fazendo-o trabalhar com mais intensidade, deixando o usuário mais “elétrico”. São usadas com o nome de “rebite” por motoristas que precisam dirigir por longo períodos.  Também são conhecidas por “bolinhas” por estudantes que passam noites inteiras estudando, ou por pessoas que costumam fazer regimes de emagrecimento sem o acompanhamento médico.

anfetamina

As anfetaminas são drogas sintéticas, fabricadas em laboratório e estão presentes em vários medicamentos.

As anfetaminas agem de uma maneira ampla. O usuário tem insônia, perde o apetite, sente-se cheia de energia e fala mais rápido ficando “ligada”. As anfetaminas permitem a execução de uma atividade qualquer por mais tempo, com seu usuário sentindo menos cansaço. Este, inevitável, só aparece horas mais tarde quando a droga já se foi do organismo; se nova dose é tomada as energias voltam embora com menos intensidade.

Compensa usá-los?

Compensa usar os inibidores mesmo que por um período curto de tempo? Apenas duas semanas?

Não, e por apenas um único motivo: o sono é responsável por fixar o aprendizado adquirido durante o dia.

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O sono ajuda a fixar no cérebro os conhecimentos adquiridos durante o dia e serve para melhorar as habilidades linguísticas, diz um novo estudo.

Essas são as conclusões do trabalho do pesquisador belga Nicolas Dumay, do Centro Basque de Cognição, Cérebro e Linguagem (BCBL, na sigla em inglês), de San Sebastián, na Espanha.

A pesquisa buscava investigar as funções que o cérebro desenvolve enquanto dormimos, uma questão sobre a qual a Ciência ainda não tem uma resposta completa.

Os experimentos, diz o autor, demonstram que durante as horas de sono o cérebro revisa as palavras aprendidas durante o dia, e as fixa na memória linguística.

O cientista empregou a aprendizagem de palavras novas para comprovar a hipótese sobre a atividade cerebral durante o sono, assinala em nota divulgada pelo centro de investigação.

Segundo Dumay, que desenvolveu a pesquisa com vocabulário em inglês, “as palavras lutam entre elas pelo acesso à memória em nosso cérebro”, e a pesquisa demonstra que “somente após dormir as palavras recém aprendidas conseguem o status de palavra assimilada“.

“De certo modo, o sono torna as palavras reais”, acrescenta. A pesquisa de Dumay, publicada no periódico científico Cognition, especializado no estudo do cérebro, comprovou que durante as horas de sono o cérebro revisa as palavras aprendidas durante o dia, melhora as habilidades linguísticas e fixa as palavras aprendidas.

Na fase experimental, desenvolvida na Universidade de York, no Reino Unido, o pesquisador mostrou 36 palavras novas a 32 pessoas. Uma delas foi “numesstac”, que não tem significado algum em inglês, mas que em sua composição aparece a palavra “mess”, muito comum, que significa desastre ou desordem.

Cinco minutos depois de escutar palavras desse tipo, os participantes lembravam de 7% dos novos termos. Mas 24 horas mais tarde, ou seja, após dormir, a taxa de lembrança subiu a 12%.

O mais significativo, segundo o autor, foi que as pessoas foram muito mais lentas em reconhecer as palavras que já conheciam, como “mess”, que estavam inseridas nos termos propostos.

Segundo Dumay, essa lentidão no reconhecimento das palavras já conhecidas deve-se a que durante o sono os participantes da pesquisa assimilaram os novos termos como “numesstac,” que deixou de ser uma palavra nova para transformar-se em uma palavra assimilada, o que dificultou o reconhecimento do termo “mess”.

Baseados nessa conclusão e em outros estudos anteriores sobre o sono e a mente, Dumay assegura que o cérebro assimila mais facilmente as palavras aprendidas durante a noite, antes de dormir, já que durante o dia o cérebro tem muitos outros estímulos que interferem nas palavras aprendidas pela manhã.

Dumay é autor de várias pesquisas relacionadas com o aprendizagem, a linguística e o cérebro. Algumas de suas conclusões estão sendo aplicadas no desenvolvimento de novas técnicas de ensino de línguas.

Fonte: Estadão

Em suma: dormir bem é um passo importante para a fixação do que estudamos.

Estudar mais não significa estudar melhor, pois é necessário estar com o cérebro em boas condições (ou seja, descansado) para que ele possa proporcionar em sua plenitude tudo aquilo que precisamos para efetivamente aprender.

Ter mais tempo em razão do uso de estimulantes não é garantia de ter um MELHOR tempo de estudo e aprendizagem. O equilíbrio está em ter uma rotina saudável de estudo, mesmo na véspera de uma prova.

Segue uma dica óbvia para dar qualidade aos estudos nesta reta final:

1 – Durma cedo;

2 – Faça exercícios físicos (cujos benefícios para o processo cognitivo são reais);

3 – Respeite os limites do corpo.

Caso o candidato fique saturado, extenuado mesmo, dê uma pausa para se recompor. Após algumas horas de estudo, tire meia ou uma hora para outra atividade e tente recobrar o foco. Cronometre o tempo da pausa para não se perder em qualquer outra atividade.

Evitem, a todo custo, seguir pela caminho “mais fácil”. Invariavelmente ele apresentará alguma armadilha.

Com informações do UOL, R7, Estadão, Brasil Escola e Wikipédia.

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