Categoria: Estratégia

Começando do começo: como escolher o melhor concurso público para você?

comentários Compartilhe:

doubting-600x250

O que você quer ser quando crescer? Quem nunca ouviu essa pergunta? Geralmente ela começa a ser feita quando temos 5 ou 6 anos de idade e é repetida por um longo tempo depois.

O pior é estarmos formados e entrarmos naquela fase da vida em que nos tornamos “concurseiros” -aquele ser que rala horrores mas não ganha um tostão para isto.

Ninguém sonha em ser concurseiro (até porque ser concurseiro, em que pese a relação direta com trabalho e esforço intelectual, não é emprego e ninguém o quer ser por muito tempo) como também nunca vi alguém dizer quando criança que gostaria de ser técnico ou analista judiciário, por exemplo.

Mas aqui chegamos a um outro ponto, vinculado ao fato de que, após a formatura (ou mesmo ainda na faculdade) a realidade do mundo adulto e do mercado de trabalho se faz presente e as escolhas são bem mais racionais e maduras.

Ser um analista judiciário hoje, por exemplo, não é pouca coisa. Ao contrário, há a perspectiva de uma boa remuneração, não raro superando os vencimentos de um delegado (cargo com maior status) em várias unidades da federação por conta de funções comissionadas.

E isso só como exemplo, pois ser hoje um procurador da União ou de Estado, magistrado ou promotor está no rol dos sonhos mais dourados dos concurseiros, ao menos da área jurídica.

E daqui começamos com a primeira e elementar pergunta: qual concurso fazer?

Desta pergunta vem a primeira reflexão séria sobre estratégia. Sim! Estratégia mesmo, pois a escolha não só vai influenciar TODO o processo de preparação como também vai responder, ao menos em parte, a pergunta primeira: “o que você quer ser quando crescer?”  A sua vida, a partir desta escolha, será formatada por ela. Ou seja: seus sonhos de consumo, estabilidade, viagens, família e mais um longo et cetera derivará desta escolha.

Não é uma escolha qualquer! E não sendo, precisa ser pensada com muita calma.

De plano já dou 3 relevantes elementos a serem ponderados:

1 – A escolha do concurso, e o consequente emprego de esforços para superá-lo, fará a diferença entre o concurseiro que atira para todo lado e o concurseiro com objetivo;

2 – O alvo pretendido pode ser a escada para um outro alvo, mais acima dentro das ambições do concurseiro, mas que por agora precisa obter para si algum grau de independência;

3 – A escolha errada pode frustrar os sonhos e limitar a carreira – para sempre, influenciando em todos os aspectos da vida do então concurseiro, seja limitando-o profissionalmente ou mesmo de uma forma em que ele NUNCA passe no concurso sonhado.

Três motivos significativos, não são?

tumblr_lpfdieHtY51qii6tmo1_500

Vamos ver o porquê disto.

Grau de dificuldade do alvo

Quando falo em grau de dificuldade e um concurso público falo em dois aspectos basilares. O primeiro é a dificuldade do processo seletivo em si, ou seja, o quanto de conhecimento e raciocínio sobre este conhecimento são necessários e o nível da concorrência. Esses são os elementos centrais daquilo que se pode entender por dificuldade.

Pergunta simples: há diferença entre o concurso para técnico judiciário e magistrado? A resposta é óbvia, e a proporção da diferença entre o nível e profundidade dos conhecimentos exigidos estão na proporção da dificuldade e responsabilidade exigidos entre as duas funções e o número de vagas disponíveis entre uma e outra função. Nem é preciso dizer que existem mais técnicos judiciários do que magistrados no país.

Essas distinções encontram um direto reflexo nos respectivos processos seletivos, e devem gerar algumas observações, tomando a hipótese acima como exemplo:

1 – O futuro concurseiro tem noção de suas reais potencialidades?

2 – Tem ciência do quanto precisa aprender e disposição para tal, envolvendo aqui tempo, dinheiro e esforço para ser aprovado?

3 – Sabe aonde quer chegar?

Vamos ser honestos: nós sabemos que nem todo candidato reúne as condições necessárias para ser aprovado, seja porque lhe falta força de vontade e persistência para tanto, seja porque teve uma base educacional precária, e isso se revela na hora de adquirir mais conhecimento a ser constituído sobre essa base prévia, ou as demandas imediatas da vida, como ter de se sustentar ou a sua família lhe rouba tempo e energia para dedicar aos estudos, ou porque não tem puramente a inteligência necessária para atingir a meta pretendida (falo em inteligência valendo-me de um conceito muito genérico em função de sequer existir um conceito pleno quanto ao que é inteligência).

Muitos atribuem aos concursos públicos o apodo de “guerra”. Não é uma guerra, não considerando a disputa entre os candidatos em si, e sim disputa interna do candidato. Um embate dele consigo mesmo para atingir o patamar da aprovação.

E aqui entre o conceito de concorrência.

Poderíamos dizer que concorrência, em concursos públicos, nada mais é do que a demanda de um determinado número de candidatos, atuando de forma totalmente independente, por um determinado número de vagas, cada qual utilizando de diferentes instrumentos de preparação para atingir um objetivo em comum: a vaga ofertada pelo Poder Público.

A concorrência pode ser negativa, quando há mais vagas do que candidatos (então seria necessário aos candidatos atingirem uma pontuação pré-determinada pelo edital Como necessária para o preenchimento da vaga), ou positiva, quando há mais candidatos do que vagas, e aqui a pontuação necessária é maior do que a determinada pelo edital, pois o conjunto de candidatos eleva a pontuação necessária para a aprovação.

Na minha visão a concorrência não é direta, e sim reflexa. Reflexa porque o conjunto de candidatos estabelece tão somente o PATAMAR de conhecimento necessário para se lograr a aprovação, e não necessariamente uma disputa direta vaga por vaga.

Essa percepção é verdadeira?

Muitos podem discordar, e teriam, sem dúvida, bons argumentos para tanto. Afinal, a concorrência é algo real. Trata-se tão somente de uma percepção.

De uma forma ou de outra, a solução para superar a concorrência NUNCA é externa. Não há um embate real, nem mesmo em um plano intelectual. A concorrência apenas delimita o patamar a ser atingido NO PROCESSO SELETIVO, e conseguir alcançar tal patamar é algo que depende exclusivamente do candidato.

Essa é uma visão mais confortável, pois retira em parte a pressão criada pelo concurso, e faz o candidato se importar única e exclusivamente com ele mesmo. Não é preciso pensar nos outros, e sim no quanto ele mesmo precisa aprender.

E quando a solução está nas próprias mãos, é mais fácil providenciar uma solução.

Só a título ilustrativo poderíamos falar rapidamente do recente concurso para juiz de Direito ocorrido na Bahia, no qual NENHUM candidato conseguiu passar da terceira etapa de uma seleção com cinco fases:

“”Após a primeira prova, em dezembro de 2012, sobraram 300 pessoas para a segunda etapa. Na terceira etapa, quando apenas 61 pessoas concorriam, a prova exigia a redação de uma sentença sobre prazos processuais e incorporação de gratificações. A nota mínima exigida era seis, mas nenhum candidato conseguiu mais do que cinco, segundo o Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (TRT-5).

Danilo Gaspar foi um dos candidatos que fizeram a prova. Com cinco anos de formatura, o advogado afirma que até agora não entendeu a eliminação de todos os concorrentes.

“A prova de sentença é uma prova muito grande, muito complexa e que só pode ser feita a mão, em um prazo de quatro horas. Dentro desse contexto, espera-se também que a correção leve em conta todos esses fatores”, defende o candidato.

O concurso para juiz do Trabalho pretendia preencher nove vagas que existem na Bahia para reforçar a demanda dos cerca de 1.500 processos que dão entrada todos os anos na Justiça pelo estado.

O salário inicial de um juiz trabalhista chega a R$ 14 mil, sem gratificações. Andrea Presa,  presidente da Associação dos Juízes do Trabalho (Amatra-5), reagiu com naturalidade ao resultado e citou possíveis soluções para a falta de juízes.

“Se esse resultado se confirmar, o Tribunal poderá abrir edital de remoção para que outros magistrados de outras regiões venham para suprir e abrir um outro edital desse concurso”, relatou.

Taíse Bandeira, presidente da comissão de concursos da Ordem dos Advogados do Brasil na Bahia (OAB-BA), aponta que os candidatos reprovados podem tentar reverter o resultado das provas na Justiça comum e que muitos deles já enviaram documento para a entidade  reclamando da dificuldade da prova.

“A reclamação era dizendo que o espelho da prova não era condizente que uma pessoa que estava pleiteando o cargo de juiz, que aquilo era uma avaliação inicial”. Segundo ela, a OAB teve um representante que acompanhou e corrigiu a prova, que estaria condizente com o cargo pleiteado pelos candidatos.

Fonte: G1

Pergunta: os candidatos perderam para os concorrentes ou perderam para a banca? Ou melhor – não teriam perdido para si mesmos?

Claro que isso não se aplicaria a todos os concursos, mas é muito melhor, como afirmei antes, se preocupar consigo mesmo do que com os outros.

Então aqui nós temos, em seus termos mais basilares, a delimitação do grau de dificuldade a ser enfrentado. Dessa conceituação o futuro concurseiro deve refletir: qual a melhor escolha agora?

Estamos falando de um projeto de médio ou longo prazo? Concursos em que exigem um curto prazo de estudos ou não existem ou não são exatamente adequados para as pretensões de um concurseiro da área jurídica com um diploma na mão.

A melhor escolha envolve duas reflexões extras, além daquele que envolve a dificuldade em si. Quais sejam: quanto se deseja receber em termos de remuneração e qual o projeto de vida pessoal envolvido na escolha do respectivo ofício.

Vamos dar uma olhada na média salarial praticada em uma série de concursos públicos. Antes faço uma ressalva: não são valores exatos. A realidade varia em conformidade com a realidade das diferentes unidades e poderes da federação:

Técnico Judiciário: +/- 4 mil reais iniciais

Analista judiciário: = +/- 7 mil reais iniciais

Procurador de município: depende do município. Vai de 980 até 10 mil reais.

Procurador de Estado: talvez o melhor concurso público do país. Na maioria dos casos, também pode advogar. Salários a partir de 14 mil reais.

Procurador Federal:  salário de 15 mil reais

Magistratura estadual: entre 10 e 16 mil reais

Magistratura Federal: 23 mil reais

Promotor de Justiça: de 12 a 20 mil reais.

Procurador da República: o concurso público mais difícil do país. Vencimentos de 24 mil reais.

Qual o melhor concurso? O que paga melhor? O que dá mais prestígio? O que tem a menor carga de trabalho? O que permite, naquele momento, dar uma segurança financeira para se projetar o próximo passo?

Sim! A ambição precisa se adequar a uma estratégia e às circunstâncias pessoais do concurseiro.

Hoje o objetivo pode ser um, amanhã, outro, quando uma determinada segurança for obtida.

Este texto tem uma finalidade clara: provocar a reflexão. A partir daqui um “mapa do caminho” precisa ser traçado, de preferência contendo objetivos claros e, acima de tudo, factíveis, levando em conta os sonhos e as condições pessoais de vida do candidato.

É o primeiro passo a ser tomado, e, tirando a força de vontade para aprender, o mais significativo.

Reflitam!

comentários Compartilhe:

Posts Relacionados